Acesso a Intranet

Artigos

Critério para descarte de vacas leiteiras

O Estado de Goiás na década de 90 cresceu 125% em produção de leite se tornando o segundo estado produtor com 2,5 bilhões de litros de leite, representando 11,5 % da produção nacional, com cerca de 57000 produtores de leite.


Este crescimento foi possível devido a importação de vacas de outros estados, principalmente Minas Gerais e São Paulo.


Seguramente os produtores goianos importaram boas vacas e excelente genética fazendo com que o rebanho leiteiro do estado tivesse grande evolução.  Contudo; pelo grande número de vacas importadas muitas fazendas tiveram insucesso ou com animais não adaptados ao ambiente e alimentação ou por problemas de manejo e doenças. Estas fazendas ainda sofrem no controle dos custos e das rendas, e necessitam se ajustarem para uma produção com eficiência.


O produtor de leite moderno sabe que é chegada a hora de desenvolver estratégias de preparação para o futuro, de uma maneira apropriada e a tempo. Esta preparação passa pelos critérios de seleção e descarte das vacas produtoras de leite na fazenda.
    

Muitos produtores não contam ainda com um controle zootécnico e sanitário eficiente muito menos com controle leiteiro para conhecer as suas vacas. A interpretação dos índices reprodutivos e de produção; para o descarte de vacas que dão prejuízo ao negócio é necessário.
A renda de uma fazenda leiteira se deve ao volume de leite vendido e a venda de animais. A taxa de reposição de vacas leiteiras afeta a receita da propriedade, como também afeta o ganho genético dos animais nas características que estão sendo selecionadas.


A decisão de descartar ou manter uma vaca no rebanho baseia-se na expectativa sobre o desempenho na produção de leite desse animal.Quanto mais o tempo de permanência de uma vaca no rebanho após a primeira cria; inicio do retorno dos investimentos no animal, maior o lucro obtido. Este período é chamado de vida útil ou produtiva da vaca.


É preciso muita informação antes de decidir descartar uma vaca leiteira.


Veja interpretação do Quadro 1.


A vaca Fafá teve um período de produção de apenas 240 dias ou oito meses, média de 11,8 litros por dia, ou 2832 litros de leite na lactação; com uma persistência na lactação baixa. A partir do terceiro mês de produção houve queda de 15 % ao mês. A vaca Fantasia, produziu em 300 dias, média de 13,0 litros de leite por dia, ou 3900 litros na lactação com uma persistência alta ou queda na produção de 5% ao mês a partir do terceiro mês. Ao analisarmos o intervalo entre partos das vacas teremos 6,2 litros de produção por dia de intervalo da vaca Fafá e 10,0 litros por dia, da vaca Fantasia.


Se analisarmos um rebanho de 100 vacas com as características da vaca Fafá, com um intervalo entre partos de 15 meses, e oito meses de lactação teremos no curral, média de 53 vacas produzindo. Se a média por vaca em 240 dias foi de 11,8 litros teremos uma produção diária de 625 litros.


O rebanho com as características da vaca Fantasia com 13 meses de intervalos entre partos e 10 meses de lactação teremos 77 vacas produzindo diariamente.Se a média foi de 13 litros por vaca dia teremos uma produção de 1001 litros por dia. Um rebanho leiteiro com as características da vaca Fantasia daria uma produção diária de 376 litros a mais que um rebanho com as características da vaca Fafa. Uma diferença de 137240 litros por ano.Se o preço médio do leite for de R$ 0,40 centavos por litro teremos uma renda bruta de R$ 54.896,00 a mais por ano.


Por este motivo o produtor tem que fazer o controle leiteiro e conhecer suas vacas para descartar corretamente. O controle leiteiro informa ao produtor a produção de uma vaca durante toda a sua lactação. Determina o que cada vaca contribui para a renda da propriedade. Permite o descarte técnico dos animais de menor produção aumentando a renda liquida do rebanho. Identifica as melhores bezerras que serão mantidas no rebanho.Identifica vacas com alto teor de gordura e proteína.


CARACTERÍSTICAS QUE DEFINEM UMA BOA VACA DE LEITE:

•Alta produção de leite com alta percentagem de gordura e proteína.
•Vida útil ou produtiva longa.
•Boa conformação de úbere que reduz a incidência de mastite.
•Ausência, ou mínimo de problemas da reprodução.
•Conversão alimentar eficiente para produção de leite.
•Boa conformação de cascos.
•Vaca saudável com boa resistência, que minimiza a incidência de doenças.


A seleção de vacas de leite deve ser baseada em pontos específicos, mensuráveis e com possibilidade de avaliação pelo produtor. Exemplo: produção de leite a pasto, fertilidade e peso. Além dos pontos desejados, não descuidar da seleção para características raciais e o tipo funcional, observando sempre úbere bem aderido, tetas curtas, pernas e pés com angulos corretos e finalmente uma boa capacidade corporal, para garantir a ingestão de forragem, visando produção econômica de leite. Observar também, os índices reprodutivos e produtivos como idade ao primeiro parto, intervalo entre partos, período seco,  porcentagem e produção de gordura.


A rusticidade funcional é outra característica para seleção, que é a capacidade de a vaca ter boas produções de leite a partir da pastagem. Pasto no período das águas e pasto mais silagem na seca.Outro produtor pode querer selecionar a vaca para produzir confinada com altas produções e com as características de uma raça pura.


Podemos classificar o descarte de vacas de leite como descarte voluntário que é aquele que se faz quando as vacas são vendidas para produzir leite para outro produtor.

O descarte involuntário é aquele que as vacas são descartadas por problemas de mastite, problemas de pé e pernas, reprodutivos, problemas de úbere, acidentes (traumatismos).


Atualmente se faz necessário um trabalho de seleção, visando primeiro as doenças do rebanho como a brucelose, a tuberculose e doenças da reprodução.


Os descartes por problemas reprodutivos sugerem animais mais velhos e evidencia tentativas do produtor resolver este tipo de problema.
O descarte de vacas com elevados intervalos entre partos causados por restrição alimentar ou deficiência deve ser evitado. Por condições de alimentação e mineralização inadequadas e de certas doenças, pode ocorrer retenção de placenta e repetição de cio.
Um programa de nutrição na fazenda é o primeiro passo para atingir objetivos na produção de leite.
O descarte por problemas reprodutivos melhora o rebanho a cada geração. Novilhas tardias com dificuldade de emprenhar devem ser descartadas rigorosamente.    


O principal problema do produtor de leite de Goiás e Brasileiro é dar pouca importância à administração do negócio. Este erro desencadeia uma série de outros, que devem ser corrigidos; como treinar a mão-de-obra que trabalha para ele, considerar a pastagem como uma cultura, fazer planejamento alimentar, fazer controle leiteiro como base de um programa de melhoramento genético, saber interpretar os resultados e tomar decisão baseada neles; usar adequadamente os concentrados, produzir leite em condições de higiene e sanidade.


Na última semana de dezembro de 2003 estive em um a fazenda no Alto Paranaíba, onde o padrão genético do rebanho é excelente, as vacas contam com uma produção média de 16 quilos de leite por dia a pasto, mais 2,5 quilos de ração para suplementar Proteína, Energia e Matéria Seca. As novilhas sofrem restrição alimentar; estão parindo com baixo peso e com baixíssima produção de leite tendo que serem descartadas por falta de um programa de nutrição adequado para a recria e manejo reprodutivo deficiente; sendo cobertas com um peso médio de 280 quilos.


A correção do manejo reprodutivo e alimentar; contribuem para diminuir descartes involuntários, permite maior escolha das novilhas para reposição, aumenta o número de animais descartados voluntariamente aumentando também a renda do produtor.


O descarte por problemas de pernas e pés, geralmente é feito em animais mais velhos com período longo de permanência no rebanho. Vacas de baixa produção de leite devem ser descartadas rigorosamente. As novilhas precisam ser, a cada geração, melhores que as mães.
Com o critério do controle leiteiro adotado, espera-se que o rebanho obtenha uma constante evolução nos seus índices de produção de leite ao eliminar as vacas inferiores será dado um melhor padrão leiteiro a vacada.


Animais descartados por baixa produção de leite, em relação às outras vacas geralmente são descartados jovens, no entanto o produtor não deve descartar uma vaca após a primeira lactação sem dar a mesma uma segunda chance; pois as vacas de primeira cria, quase sempre apresentam problemas que podem afetar a lactação.


Mastites crônicas, agudas, clínicas ou subclínicas( ambiental ou contagiosa): Depois de instalada, a mastite sempre vai danificar uma parte da glândula mamária, e, por ser altamente contagiosa, passa para outras glândulas mamárias do úbere e para outros animais. Quando se torna grave, 20 a 30% dos casos não conseguem ser curados. Além de perder o leite, há o risco de descarte da vaca.


A escolha dos touros para colocar no rebanho de leite tem grande importância, pois são deles a possibilidade de uma receita futura melhor na fazenda.

A produtividade das vacas e a maior incidência de doenças podem ser motivos suficientes para o descarte do animal, os problemas de casco, de aprumo, de ligamentos do úbere, são grandes influenciadores de descarte.


Taxa de descarte é o número de vacas descartadas dividido pelo número de vacas existentes no rebanho. A taxa de descarte mínima em um rebanho de leite estabilizado, deve ser em torno de 20% ao ano; sendo que a ideal situa-se em torno de 25%. Assim a renovação das vacas se torna rápida e o produtor alcança preços lucrativos pelos animais vendidos.

     

                                                                         Waldson Costa
                                                                      Médico Veterinário
                                                                 Nutroeste Nutrição Animal

Clique aqui para ver o Fluxograma 1
Clique aqui para ver o Fluxograma 1
Clique aqui para ver o Fluxograma 2
Clique aqui para ver o Fluxograma 2

 

« voltar