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Silagem de capim, cardápio para a seca

O capim é uma planta perene que, se manejado e adubado adequadamente, não precisa ser replantado. Este fato faz o custo de produção de sua silagem mais baixo do que o das culturas anuais, como o milho e o sorgo.
    
O objetivo de trabalhar com silagens de capim não é visar altas produções ou alta qualidade, mas sim ter volume de alimento para o período das secas, suplementando animais de recria e vacas descarte (categorias menos exigentes).
    
Com o desenvolvimento de colheitadeiras de forragens adaptadas para o corte de capim, seu processo de ensilagem, tornou-se alternativa viável para alimentar o gado durante o período da seca. No entanto, o processo para compensar economicamente deve ser feito em grande escala.
Alia-se a este fato variedades de forrageiras mais produtivas, com um teor de matéria seca (material do capim menos a água) mais elevado.
    
Os técnicos da EMBRAPA desenvolverem o processo da ensilagem de capim objetivando o aproveitamento das sobras existentes no período das águas, tendo como meta a mantença do  peso do rebanho estável durante todo o ano.
Nas fazendas que utilizam pastejos rotacionados; o pecuarista pode fazer a ensilagem da sobra de capim nos piquetes, provendo alimento para a seca do ano seguinte.
    
Um fator importante na escolha da forragem a ser ensilada, é esta apresentar alto rendimento de massa verde por hectare, reduzida área plantada e menor custo com a ensilagem. O ideal é plantar áreas de capim, especialmente para a ensilagem; pois os pastos ficam muito desuniformes e entouceirados, e o solo irregular pode prejudicar as máquinas colhedeiras.
A forragem picada é colocada diretamente no silo sem pré murchamento, podendo utilizar a polpa cítrica para aumentar a matéria seca da silagem na proporção de 10 % ou fubá de milho na proporção de 5% e utilizar ainda um inoculante no material a ensilar, visando ocorrência da fermentação desejável da silagem  com maior rapidez. 
    
Em comparação com as silagens de grãos (milho e sorgo), a desvantagem do capim é a sua deficiência de energia (NDT), contida nos carboidratos (amidos). Isso significa que, na dieta do animal, a complementação alimentar com concentrado, é necessária, mesmo assim, esse manejo é compensador.

A preparação da silagem pode ser resumida em:
Colher a planta na hora certa: a colheita do capim elefante deve ser feita de 60 em 60 dias.No caso do capim tanzânia, e mombaça, experimentos mostram uma colheita com 55 dias de crescimento das plantas, a do capim coast cross, de 30 a 45 dias.

Cortar o material no tamanho adequado:
a picagem do capim para ensilagem pode ser um pouco maiores que as partículas da silagem de milho, ou seja de 3 a 4 cm.

Encher rapidamente o silo:
o período de enchimento ideal de um  silo é de 1 a 2 dias, para evitar fermentações indesejáveis.

Usar cuidadosamente o inoculante:
o inoculante deve ser preparado na proporção de um sachê para 50 litros de água, devendo posteriormente pulverizar ou regar a massa ensilada do capim na proporção de um litro por tonelada.

Compactar adequadamente a massa ensilada:
a compactação da massa ensilada deve ser permanente, durante o processo de ensilagem, se o silo for de superfície a compactação deve ser horizontal e transversal.

Cobrir o material ensilado o mais rápido possível:
a lona deve ser aberta do centro do silo para as periferias para retirada do ar, cobrindo a mesma, utilizando terra, pneus, madeira, para evitar entrada de ar.

Resultados de alguns experimentos utilizando silagem de capim:

No confinamento ocorreram ganhos de 1,1 quilo por animal por dia, para lotes que consumiu a silagem de mombaça.

Com a silagem de coast cross, em animais de recria, todos os animais ganharam peso, apresentando boa condição corporal ao final da seca, com médias de ganho de peso de 200g/animal/dia, sem suplementação.

No caso do capim tanzânia (recria-engorda) foi possível obter de cruzados europeu/nelore com peso de abate na faixa de 450 Kg de peso vivo aos 19-20 meses de idade. Nas águas, a alimentação constituiu-se somente de forragem pastejada com média de ganho de 850g/animal/dia. Na seca a alimentação foi composta de forragem pastejada, silagem do excesso de forragem das águas e 0,5 Kg de farelo de soja, com média de ganho de 440g/animal/dia.      Experimentos com a mistura de 40% de cevada e 60 % de capim elefante, no vale do Paraíba, resultou em uma silagem de excelente qualidade com 10% de proteína bruta e 20% de matéria seca, com bons resultados na produção de leite.     No período das secas, o cardápio sendo escasso, comer silagem de capim é um dos remédios para o gado menos especializado.

Dúvidas para a confecção da silagem de capim o produtor deve procurar um técnico, para esclarecimento.

      

                                                                         Waldson Costa
                                                                  Médico Veterinário
                                                                 Nutroeste Nutrição Animal

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