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Simpósio discute novos rumos para a produção de carne no País

 

O Brasil possui o maior rebanho comercial e é o principal exportador de carne bovina do mundo. Apesar da representatividade e volume, o País não está no topo da produção mundial, ficando inclusive atrás dos Estados Unidos, que não possui nem a metade dos animais nos pastos e confinamentos nacionais. É nítido, portanto, que a eficiência de toda a cadeia precisa melhorar, do pecuarista até o frigorífico, segundo especialistas.

Para tentar debater parte desse cenário - que envolve inclusive a perda de espaço para algumas culturas, como a soja - é que está sendo realizado durante a ExpoLondrina, o III Simpósio de Qualidade de Carne Bovina (Simcarne). O evento, que conta com cerca de 100 participantes entre pecuaristas, técnicos, estudantes e representantes de frigoríficos, começou ontem pela manhã e segue hoje durante todo o dia, no Auditório Horácio Coimbra, no Parque Ney Braga. Em pauta, assuntos como estratégias nutricionais visando a qualidade da carne, melhoramento genético, sanidade, maciez, manejo, pré-abate, avaliação de carcaça, entre outros.

A professora do Departamento de Zootecnia da UEL e coordenadora do Simcarne, Ana Maria Bridi, explicou que é papel do Grupo de Pesquisa de Análise de Carcaça e Carne (Gpac), vinculado ao departamento, gerar e divulgar conhecimentos científicos, não apenas da universidade da cidade, mas também de outras localidades. "Essa é uma oportunidade para discutirmos com toda a cadeia produtiva onde estão as falhas de produção e como corrigi-las".

Um ponto importante, segundo a coordenadora, que será debatido hoje durante o simpósio, é como essa carcaça chega ao frigorífico e como avaliá-la, no sentido de ter informações técnicas sobre a carne. A partir daí, é possível fazer o caminho contrário e saber quais pontos podem ser melhorados ainda enquanto o animal está na propriedade, melhorando todo o sistema. "Se o final da cadeia não avaliar o produto, fica complicado saber o que precisa ser feito", observa.

Um exemplo da importância dessa avaliação foi um levantamento feito pelo Gpac em São Paulo. Uma pesquisa com 200 mil carcaças de bovinos em duas plantas frigoríficas exportadoras concluiu que o País abate os animais tardiamente: entre 3 e 3,5 anos. "Vale dizer ainda que esse número não representa a média nacional, que é muito pior. Como o produtor não tem eficiência, tenta compensar aumentando o rebanho. Para reduzir o abate do rebanho na média de um ano não é fácil, é preciso investir primeiramente em nutrição e sanidade e, depois, melhoramento genético."

Apesar de muito trabalho pela frente para colocar o País em novos patamares de produção e qualidade, a coordenadora do simpósio acredita que a pecuária está passando por transformações significativas. Pelo preço da terra estar muito elevado, inclusive no Paraná, quem está na atividade precisa investir para conquistar retorno econômico comparado aos grãos, por exemplo. "Historicamente, o pecuarista não gosta de investir como acontece como o agricultor, que compra máquinas caríssimas, o melhor defensivo, a melhor semente. Mas agora o mercado passa por uma seleção natural. Não é mais possível ser apenas um produtor, é preciso eficiência. Quem não se adaptou saiu do negócio e os que ficaram estão se tornando mais produtivos."

Folha de Londrina

 

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